Em 12 de agosto de 1816 a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios é oficialmente criada. Após 10 anos, é inaugurada como Academia Imperial de Belas Artes (AIBA).  Com a necessidade da formação de uma biblioteca para dar suporte ao ensino de artes, inicia-se a constituição do acervo formado principalmente com a transferência de livros da Biblioteca Pública Imperial, por doações que começaram com nossos imperadores, somando-se a de professores e suas famílias, artistas, ministros de Estado, instituições nacionais e estrangeiras e outros diferentes doadores (LUZ, 1999, p.150). A AIBA também realizava compras de livros e estampas com verba própria. Para um satisfatório funcionamento, a Biblioteca necessitava de um local mais apropriado para a sua guarda e consulta, assim sendo, o diretor da Academia, Henrique José da Silva, e seu secretário Felix Emilio Taunay, em 13 de setembro de 1833, declara: “[...] que seria melhor dar a sala semi-circular o destino de receber a biblioteca e archivos, servindo ao mesmo tempo para as reuniões dos Professores” (RIO DE JANEIRO, 6150, 1831-1841). Sua preciosa biblioteca é inaugurada em março de 1834 com o discurso do diretor Henrique José da Silva: "Abriou-se então o portão da biblioteca e o porteiro chamando os alumnos, o diretor dirigio lhes a seguinte falla em nome da Congregação: Sres. principia uma nova era para a Academia da Bellas Artes" (RIO DE JANEIRO, 6150, 1831-1841). As bibliotecas formadas no século XIX, de um modo geral, como instituições culturais, tornaram-se um dos símbolos do processo civilizatório (SILVEIRA, 2010, p.79-80). "A biblioteca da Academia iniciou e desenvolveu seus serviços baseando-se na propagação do ensino da arte, desse modo, sempre trouxe seu nome atrelado ao da Academia Imperial de Belas Artes" (GODOY, 2015).

  

  

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(Planta da Academia de Belas Artes. Fonte: Acervo EBAOR, livro "Voyage pittoresque et historique au Bresil" de Debret, J. B., 1834, v. 3)  

 

 

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(Academia de Belas Artes, [1926 e 1935]. Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=653687&page=660, 2017)

  


      A Biblioteca tinha como um dos seus objetivos a eficiência quanto à seleção. Seu acervo não foi constituído aleatoriamente, todo o processo de seleção era cuidadosamente analisado, enriquecendo, com novos livros e estampas à medida que a Academia se desenvolvia. Os professores, também, faziam suas solicitações por meio de listagens de livros relevantes para o ensino a fim de prepararem os alunos que representariam a Arte no País. Os serviços de seleção e aquisição (solicitar doações e verbas ao Governo para compras) eram realizados com esmero pelo diretor e pelo secretário da Academia, era também responsabilidade destes, a coordenação dos empréstimos e os serviços de melhorias na sala da biblioteca (decoração da sala da Biblioteca, as obras que lhe pertenceriam e os reparos necessários). Tinha como auxiliares o porteiro da Academia e seu ajudante.

      A importância de Felix Emilio Taunay (1795-1881), diretor da Academia de 1834 a 1851 e Manuel de Araujo Porto-alegre (1806-1879), diretor da Academia de 1854 a 1857 se destacam em todo o processo de formação da Biblioteca, sendo eles os responsáveis pela composição do acervo-base, norteando os futuros dirigentes da AIBA a darem prosseguimento aos serviços de seleção e aquisição. O interesse e a capacidade administrativa desses dois diretores foram fatores que contribuíram para a formação de um acervo útil e eficaz na formação do artista (GODOY, 2015).

 

 

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 (Fonte: Acervo EBAOR, livro "Fachadas dos prédios da ex Av. Central, atual Rio Branco", 1903)

 

 

      Em 1908 a Escola, com a denominação pós Império, Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) foi transferida para o prédio na Avenida Central (atual Avenida Rio Branco). Em 1937 foi incorporada à Universidade do Brasil (Futura Universidade Federal do Rio de Janeiro), no mesmo ano, o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) é criado, passando a dividir o espaço do prédio com a Escola. A transferência da ENBA para o Prédio da Reitoria, na Ilha do Fundão, ocorreu em 1975, com esta mudança, uma parte considerável do acervo permaneceu no MNBA, e assim formou-se a Biblioteca Professor Alfredo Galvão (PEREIRA, 2008). 

 

 

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(Prédio da Reitoria, Ilha do Fundão - Cidade Universitária. Fonte: http://www.museu.eba.ufrj.br/historicoMuseu.html, 2017)

 

    

      Em 2005, foi aprovado o Projeto de Reformulação do Museu Dom João VI, criado em 1979, patrocínio concedido pela Petrobrás. Sendo assim, o Museu foi transferido para o sétimo andar, no local de origem da Biblioteca Professor Alfredo Galvão, e esta, para o segundo andar, ambos no mesmo prédio da Reitoria (PEREIRA, 2008). O acervo de obras raras que permanecia em sala separada dentro da biblioteca, passou a dividir o mesmo espaço que o Museu D. João VI, constituindo-se, assim, um centro de pesquisa acadêmico para o estudo das artes. Atualmente, essa parte do acervo raro e especial forma a Biblioteca de Obras Raras/EBA/UFRJ (EBAOR) e parte das gravuras e desenhos encontram-se arquivados no acervo do Museu D. João VI/EBA/UFRJ. Tanto a biblioteca como o museu funcionam como um rico laboratório para pesquisadores da graduação e pós-graduação. 

     

 

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(EBAOR, 2016)

 

 

      Em 2009, iniciou-se procedimentos de preservação e conservação do acervo: monitoramento diário da temperatura e umidade relativa do ar, acondicionamento e higienização cíclica das obras. Em novembro de 2012 a EBAOR sofreu uma remodelação, visando separar a equipe técnica do acervo para melhores condições de trabalho. Foram construídas duas salas: uma para a equipe técnica e outra para a chefia e atendimento ao pesquisador, possibilitando, inclusive, a reorganização física das coleções para o melhor aproveitamento do espaço. Com o sinistro ocorrido no prédio da Reitoria no dia 03 de outubro de 2016 e a interdição parcial do prédio, a Biblioteca de Obras Raras que fica situada no 7º andar, ainda que não afetada diretamente pelo incêndio, permanece com suas atividades de atendimento ao público restritas.

 

 

REFERÊNCIA

 

 

GODOY, Rosani Parada. Processos de formação do acervo da biblioteca da Academia Imperial de Belas Artes e seu uso como material didático (1834- 1857). 2015. 189 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Biblioteconomia) –  Escola de Biblioteconomia, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.unirio.br/ppgb/arquivo/DISSERTACAO%20ROSANI%20GODOY.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2016.

  

LUZ, Angela Ancora. A Escola de Belas Artes – uma história da arte. Arquivos da Escola de Belas Artes. Rio de Janeiro: EBA/UFRJ, 1999. p.71-91.

  

PEREIRA, Sônia Gomes. O Museu D. João VI. Acervo, Rio de Janeiro, v. 21, n. 1, p. 149-160, jan/jun 2008. Disponível em: <http://revista.arquivonacional.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/93>. Acesso em: 03 mar. 2016.

  

RIO DE JANEIRO. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ata 6150, 1831-1841. Assunto: Reformas dos Estatutos da Academia e ofícios das reuniões de congregação. Disponível em: <http://www.docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=MuseuDJoaoVI&pasta=Avulsos&pesq=>. Acesso em: 7 fev. 2013.

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